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Programas de Suporte Psico-Social – ferramenta para a saúde corporativa
Por Liliana Scheliga (*)
Se oferecermos ao empregado treinamento técnico adequado, boas condições de trabalho e remuneração compatível, que impacto terá o seu estado de saúde sobre sua produtividade e desempenho?
Quando pensamos em saúde, precisamos primeiramente defini-la: segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), "Saúde é bem estar físico, emocional e social e não meramente a ausência de doença."
Sabemos que indivíduos saudáveis tendem a manter um equilíbrio significativo nas suas atividades. Os diversos papéis na vida: o de trabalhador, chefe, pai, filho, irmão etc requerem um bom gerenciamento de nossa parte.
Para melhor lidarmos com as demandas decorrentes desses múltiplos papéis, é de suma importância termos um bom suporte social. Na verdade, uma das mais importantes descobertas referentes à saúde e também à longevidade, diz respeito à importância dos relacionamentos.
Se somarmos a esses dados, estatísticas fornecidas no Relatório 2001 da Organização Mundial de Saúde, teremos que mais de 10% de todos os adultos atualmente sofrem de algum problema emocional e mais de 25% terão problemas dessa natureza em algum momento de suas vidas.
Portanto, podemos estimar que, em um ambiente de trabalho, todos correm o risco de que problemas pessoais e emocionais comprometam sua qualidade de vida e seu desempenho profissional.
Desenvolvidos e aplicados nos E.U.A desde 1940, os "EAPs - Employee Assistance Programs" (programas de assistência ao empregado) originaram-se dos programas ocupacionais de prevenção e tratamento do alcoolismo. Atualmente abrangem em seu escopo uma ampla variedade de problemas e estão presentes em 90% das maiores empresas americanas.
Graças à sua abordagem holística e integrada, este programa fornece dados para a implantação de outros programas preventivos nas áreas de Recursos Humanos, Saúde e Qualidade de Vida. É ainda um excelente instrumento para a melhoria do clima organizacional e corporativo na medida em que inclui em seu escopo o atendimento aos funcionários e familiares.
O objetivo é auxiliar indivíduos cujos problemas pessoais estejam prejudicando o desempenho no trabalho. Os problemas podem ser tão distintos quanto o alcoolismo ou abuso de outras drogas, familiar, conjugal, ou desordens de comportamento que resultem em absenteísmo ou na deterioração da eficiência no trabalho. E além de afetar o desempenho individual, eles também podem influenciar negativamente a equipe de trabalho e o próprio clima da empresa/departamento.
Problemas de desempenho representam uma preocupação legítima para empregadores e chefias, nesta era de competitividade acirrada. A identificação precoce e o encaminhamento do empregado elevam as chances de resolução e conseqüente retorno a uma vida mais produtiva.
Entretanto, nem todos os problemas de desempenho devem ser encaminhados ao PAE. Identificar o baixo desempenho e tomar medidas corretivas apropriadas são funções gerenciais, e o programa não tem a intenção de substituir a responsabilidade do gestor nestes casos. O programa não deve ser visto como uma técnica disciplinar ou de segurança, e sim como uma opção para os supervisores se utilizarem na correção de problemas de desempenho difíceis.
Por parte dos usuários, é muito grande a expectativa de que o PAE solucionará todos os seus problemas, assim como uma "varinha mágica".
O programa, entretanto, procura conscientizar e mobilizar recursos no sentido de motivar o indivíduo a sair de uma postura de impotência perante seus problemas pessoais para uma vida mais saudável e feliz, cabendo a cada um a responsabilidade pela sua própria mudança.
(*) Liliana Scheliga é Psicóloga com mestrado em Counseling nos USA, especialista no tratamento de alcoolismo e dependência química, e Diretora Clínica da Solutions, Latin America.
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