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Prejuízo no Brasil pode chegar a US$ 24 bilhões ao ano

 

Fonte: VALOR ECONÔMICO - SEÇÃO: EU& - 25/01/06

O Brasil gasta, anualmente, entre US$ 18,1 bilhões e US$ 24 bilhões (3% e 4% do PIB de 2004), com problemas relacionados ao estresse profissional. Esse valor inclui o índice de absenteísmo, a rotatividade de profissionais, lesões corporais, licenças de saúde e processos jurídicos, nos quais os trabalhadores responsabilizam suas companhias por sofrerem pressões exageradas no cumprimento de suas funções.

Esse valor foi calculado pelo International Stress Management Association do Brasil (Isma-Br), que reúne 500 associados, entre médicos, psicólogos, psiquiatras, gestores de recursos humanos e outros profissionais. A presidente da associação, Ana Maria Rossi, diz que 70% dos trabalhadores brasileiros hoje sofrem com o estresse. Destes, 30% chegaram ao "burn out", nível mais avançado da doença, que pode levar à depressão e à exaustão física e mental.

"Temos o mesmo nível de estresse dos trabalhadores do Reino Unido". Lá 70% dos profissionais sofrem com esse problema. Nos Estados Unidos, esse percentual sobe para 72%. Em termos financeiros, os EUA gastam por ano US$ 300 bilhões e os 25 países da União Européia US$ 400 bilhões.

A Associação calcula que hoje apenas 3% das empresas brasileiras possuam algum programa contínuo de gerenciamento do estresse. "O problema é que a maioria das companhias desenvolve ações pontuais como palestras, ginástica laboral, que não estão sincronizadas para o efetivo combate do estresse", diz.

Dentro das organizações no Brasil, quem sofre mais com o estresse são aqueles que têm um alto nível de responsabilidade e pouco poder de decisão. Estes têm 67% mais chances de sofrerem algum problema cardíaco. É o caso de gerentes que são pressionados por seus superiores e subordinados.

"A maioria das empresas transfere a responsabilidade de lidar com o estresse para o funcionário", diz Rita Cotrim Passos, diretora de comunicação da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) e da CPH, consultoria que faz o mapeamento do perfil de saúde e estilo de vida dentro das empresas.

Pesquisa da ABQV, realizada com 200 companhias no ano passado, mostrou que apenas 11% tinham programas de gerenciamento de estresse. "A maioria se concentra em atividades de qualidade de vida como massoterapia, ioga, entre outras atividades", diz. "Poucas fazem ações preventivas".

Os setores onde o nível de estresse é mais alto, segundo a ABQV, são o de tecnologia da informação e telefonia celular. "Isso acontece pela rapidez com que as mudanças ocorrem nessas áreas", diz Rita. E, segundo o banco de dados da CPH (formado por 68 mil pessoas), as mulheres são as mais afetadas pelo estresse, representando 68% do total. Nelas, a pressão da dupla jornada, em casa e no trabalho, tem um efeito devastador.

A boa notícia é que cresce no país o número de empresas que adotam programas como o Employee Assistance Program (EAP), de suporte psicossocial. "Com ele é possível fazer o acompanhamento do funcionário em um estágio avançado de estresse", diz Rita. Atualmente, segundo dados da CPH, 10% das companhias em atividade